A descoberta da prática de mindfulness

O contacto com a prática da meditação iniciou-se há cerca de 19 anos, com a frequência de um curso de introdução à meditação. E, recentemente, concluí a certificação em Mindfulness, concretamente através do programa Basic Mindfulness Training Projet (BMIT, Quietud Mindfulness Center, Santiago de Compostela).

Durante todo este percurso, e fruto da formação frequentada e das leituras realizadas, todo um caminho de aprofundamento de mim mesma foi feito. Descobri muito a meu respeito e, em paralelo, fui crescendo como profissional, uma vez que, tudo quanto aprendia, fazia – e faço! – refletir na minha prática clínica.

Inicialmente, via a prática de meditação como uma forma de aprofundar o autoconhecimento. Depois, comecei a percebê-la como uma maneira de aliviar a ansiedade e gerir as emoções.  Atualmente, vejo-a como uma espécie de acordar, no sentido de sair da alienação, do adormecimento em que parece que muitas vezes todos andamos.

A prática de mindfulness mostra-me como verdadeiramente sou, revela a confusão mental – todo o bla-bla-bla da mente –, permite que crenças e convicções profundas se tornem claras. Sobretudo, cria um espaço que possibilita, momento a momento, observar o que vai surgindo na mente, facultando a possibilidade de me envolver ou não com aquilo que surge.

Através da prática de mindfulness, e particularmente através da aceitação, posso manter uma relação honesta, direta e verdadeira com a pessoa que Sou. Percebi que não se trata de me mudar, mas sim de me aceitar, para que me possa transformar. Encontrando todos os medos, fantasmas, crenças, sobre os quais erigi esta pessoa, olhando para eles e não lhes resistindo, mas apenas compreendendo, posso criar condições para que a verdadeira metamorfose ocorra. Apenas quando o diálogo interno deixa de tecer críticas ou de assumir padrões rígidos, apenas quando essa conversa interna esmorece, é que se promove a abertura para a possível transformação.

Há, igualmente, que mudar os hábitos, nomeadamente os padrões de pensamento. Como refere Chödrön (2002):

Nacemos con un intenso deseo de resolución y seguridade que gobierna nuestros pensamientos, palabras y acciones. Somos como los tripulantes de una barca que se está deshaciendo a pedazos y que intentan sostenecerse en el agua. La dinámica, la energética y la corriente natural del universo no son admisibles para una mente convencional. Nuestros prejuizios y adicciones constituyen unos patrones mentales que nacem del miedo que nos suscita um mundo fluido. Como tomamos lo que sempre está cambiando por permanente, sofrimos. (…) Al seguir buscando una gratificación instantánea, (…), continuamos fortaleciendo los antíguos hábitos de sufrimiento.

Mindfulness enquadra-se nas psicoterapias de terceira geração e conduz-nos, através do desenvolvimento da metacognição, à dissolução do discurso interior que connosco mantemos, já que consciencializamos, entre outras, as tendências para o que gostamos – e a que nos apegamos – e para aquilo que não gostamos – e que nos conduz à aversão.

Conceição Viterbo (Adaptado do projeto final apresentado na certificação BMIT).

Publicado por M. Conceição Viterbo

Natural da cidade do Porto. Profissionalmente, sou Psicóloga Clínica, Instrutora de Mindfulness, Hipnoterapeuta Clínica, Formadora e Consultora.

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