Mindfulness e as emoções

img_20190827_193035-effectsEste é um testemunho de uma participante da 1a. edição do curso de Mindfulness e o Bem-estar Emocional. Partilho-o com a autorização da sua autora. Senti-me incapaz de cortar o que quer que fosse. Por isso, coloco-o na íntegra. Grata, X!

Relato Experiência Curso de Mindfulness e Bem-estar: 

  1. O desafio 

Estar connosco é reaprender a respirar. É estar dentro e fora do nosso corpo e na maioria das vezes, ou na totalidade dessas muitas vezes, não querer nem estar dentro, nem estar fora. O primeiro passo do curso de Mindfulness, para mim, foi reconhecer que eu, o meu corpo e todas as instâncias de mim, eram e são a minha casa e que nessa casa havia ruído. 

Desafio porque não queria ir, Desafio porque precisava de ir, Desafio porque fui e não sabia quando realmente iria regressar a mim. 

  1. A dor

Sentada numa sala com estranhas, deitada numa sala com estranhas, ser e estar numa sala com estranhas que se tornaram quotidiano. Sentada comigo e as lágrimas a quererem correr, deitada comigo e sem me saber abraçar, ser e estar comigo nem me saber ser ou estar. O curso de Mindfulness foi dor, a minha dor, a dor que eu deixei que me atravessasse, a dor que até hoje me é, mas com carinho, com respeito, com vontade de ser dor em crescimento e não em derrota, em sofrimento ou morte. Dor porque decidi aceitar-me, dor pelo tudo que antes via como falível em mim e que agora, mesmo com as incertezas e as inconstâncias que ainda me assombram, (re)conheço-me como dor em potencial, em transformação, em vontade de existência. 

  1. O amor 

Talvez o mais difícil. Talvez o diálogo mais amargo. Talvez o que ainda trago como Talvez. Olhar para o espelho e amar-me. Olhar para o corpo nu e amar-me. Olhar para o que em mim é inteligível e amar-me. Olhar para o que escondo e nego e amar-me. O curso de Mindfulness empurrou-me para o chão, para o vazio de amor próprio que sempre cultivei. Foi nessa queda, nessas muitas tardes e noites de escuta do medo do medo de mim que senti o Amor a despontar, Talvez, pela primeira vez, certamente agora sem necessidade de fim. Amor a aprender a amar o antigo desamor de mim pelo meu eu. 

  1. A entrega

Os outros. Eu e os outros em dinâmica de relação. Eu e os outros e esta ideia fixa (que por vezes ainda tenho) de que tenho de ser pelos outros em permanência e em exaustão. A entrega aos outros sem necessidade de justificar, de pedir desculpa, de me ver como um peso. Estou ainda em revolta comigo neste ponto. O curso de Mindfulness foi abertura à entrega ao outro, ao poder confiar além do querer confiar. Entrega à verdade de ser feliz com o que temos de um modo libertador e simples. E entrega sem crenças certas de que o passado ditará todos os dias a verdade que quero construir para a minha vida. 

  1. O abraço 

O corpo em contato com o desconhecido e com o estranho. O toque. A vontade de fuga. O desconforto. O não querer sequer estar. O curso de Mindfulness ensinou-me a realmente abraçar o outro mesmo quando o outro não me completa ou agita o sorriso, mesmo quando o outro está na distância da distância do que sinto. E no final, aprendi que nesse abraço ao outro, eu podia abraçar-me a mim. A experiência do abraço e do “autocarinho” foi a perceção de que para mim ver a vida com Mindfulness é a bondade de um amor infinito por mim em relação com o mundo. 

  1. O agora 

Usava e abusava desta palavra. Pelos trocadilhos, pelo significado e na verdade, nunca lhe auscultei os sentidos ou lhe compreendi o verdadeiro sabor. “É estar” mesmo que em agitação connosco. Fechar os olhos. Respirar. Estar. Repetir todo o processo. O mundo parece estar a ruir e nós estamos connosco, fechamos os olhos, respiramos, estamos. Confiar no processo. É doloroso, é denso e assusta. O agora sem passado, sem futuro? Onde nos situamos sem direção? O curso de Mindfulness foi um caminho sem obrigação de permanente escolha. Quando estamos neste agora nós somos a verdadeira escolha e essa passa a ser a direção certa para qualquer que passe a ser o caminho a seguir. 

  1. O medo 

Acaba o curso. Os cadernos continuam. As intenções. A meditação. Mas e no quotidiano e o quotidiano em si? Medo. Tremi e ainda tremo muitas vezes ao sentir que “estou sozinha com o Mindfulness”. Ao contrário de todos os meus hábitos desta vez não imprimi todos os materiais do curso,  não sublinhei o mais importante com cores diferentes ou repeti inúmeras vezes a mesma coisa até fazer verdadeiramente sentido. Fui para este curso como talvez nunca tenha ido antes para qualquer outra atividade na minha vida. Fui sem um conhecimento profundo sobre o tema, fui sem controlar nada ou quase nada do que me rodeava, eu fui, simplesmente fui e essa liberdade minha de ir, de ir comigo para este lugar e tempo que este curso me ofereceu tornou-se numa das melhores decisões deste ano de 2019. Por tudo o que passou a acontecer em mim e por tudo que permiti que acabasse em mim. Este curso de Mindfulness “permitiu-me acontecer-me” e quedo na esperança, face ao tanto e a tudo o resto que ainda tenho para aprender e viver, continuar na permissão desse acontecimento que é a minha existência no agora. 

À Dr.ª Conceição toda a admiração, luz e carinho, 

Espero por mais cursos e encontros,

Sempre grata, 

X”

A 2a edição do Curso inicia a 12 outubro.

https://www.facebook.com/events/680477049098538/?ti=icl

Publicado por M. Conceição Viterbo

Natural da cidade do Porto. Profissionalmente, sou Psicóloga Clínica, Instrutora de Mindfulness, Hipnoterapeuta Clínica, Formadora e Consultora.

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